Floresta Sombria – Capítulo 14

Ainda era noite quando Robin acordou assustado, o céu estava coberto por nuvens densas, não era possível ver as estrelas ou a lua, a única luz que tinham vinha diretamente da fogueira, vendavais suavemente, Robin acordou gritando e por isso todos acordaram também, todos estavam assustados olhando para Robin que chorava, até que Fernando se levantou e foi até Robin obra acalmar o garoto.

-Fique calmo! O que houve? – Fernando se sentou ao lado de Robin e colocou a mão nas costas dele enquanto olhava para ele.

-Eu tive um pesadelo horrível, não sei explicar parecia muito real. – Robin chorava, olhando para o chão.

-Acho que foi real, o que é isso em seu braço? – Greg estava de pé perto de Robin, estava com os olhos quase fechados, estava com muito sono.

-O que é isso?! – Robin olhou assustado para o braço. – Isso aconteceu no sonho, não é real! – Ele olhava assustado, ainda tentava juntar forças para parar de chorar.

-Acho que é real, o que você viu em seu sonho? Tem que dizer para a gente te ajudar. – Fernando estava ao lado dele tentando ajudar.

-Pessoal, vocês não veem que ele apenas quer chamar atenção? Aposto que ele mesmo fez isso. – Mariana não demonstrava interesse, nem mesmo estava se importando com o fato dele estar chorando.

-Cala a boca, não vê que ele está mal de verdade? O que está acontecendo com você? – Greg olhou para ela com um olhar de desdém.

-Eu vi o céu em chamas, e uma coisa pegar vocês, não pude fazer nada. – Quando ele falou isso, um raio iluminou o céu. – E ela pegou meu braço, deixou essa marca, não era para certo real.

-Calma você viu a criatura? Mais uma vez em tão pouco tempo, há algo errado. – Fernando estava sentado, com um olhar pensativo.

-Vocês estão acreditando mesmo nisso? – Mariana estava sentada longe deles apenas observando.

-Claro que sim, não vê o braço dele?! Sério, o que há de errado com você? – Greg estava olhando para ela, e ela apenas deu de ombros.

-Vamos Robin, conte para nós o que aconteceu em seu sonho, ignore Mariana, ela não está pensando bem nas coisas que fala. – Fernando olho para ela, ele não parecia amigável.

Robin contou o que viu em seu sonho, cada pequeno detalhe, cada pequena parte, cada sensação, Fernando anotava as palavras de Robin no diário, ele parecia estar tentando pensar em como as coisas se encaixavam, e cada palavra parecia deixar todos mais confusos e assustados. Ele terminou de contar a história, todos estavam olhando para ele, mas ainda era tarde, ainda era noite, voltariam a dormir, tomaram água e voltaram para suas camas.

Mariana foi primeiro, ela se deitou rápido e dormiu mais rápido ainda, não se importava com nenhuma palavra dita por ele, nem mesmo a morte dela no sonho. Fernando foi depois de arrumar as coisas de novo, ele se deitou e demorou para dormir, ele parecia mais preocupado, mais pensativo e reflexivo, tinha dúvidas, mas dormiu. Greg ficou conversando com Robin, estava preocupado, não queria deixar ele sozinho na noite.

-Você está bem de verdade? – Greg se sentou ao lado dele, olhava para o fogo logo a frente.

-Não sei, estou assustado, não quero ficar aqui, quero ir para casa, sinto falta das coisas de casa, o que estou fazendo aqui? – Robin estava sentado no chão ao lado de sua tenda.

-Acredite, eu sei como se sente, mas vai ficar tudo bem, eu tive um sonho parecido, eu sei que nada de ruim vai acontecer. – Greg tentava parecer confiante, mas não conseguia fingir bem.

-Cara, não sei o que fazer, tenho medo, pareceu tão real, n seu sonho ninguém morreu, no seu sonho as coisas não foram assim. – Robin olhou para Greg, ele parecia estar triste.

-Não se preocupe tanto, estamos aqui para te ajudar. – Apontou para os outros que dormiam. – Estamos aqui juntos, todos queremos ir para casa. Queremos te ajudar.

-É bom ter você aqui comigo, é bom ter alguém que se preocupa comigo. – Olhou para Greg que olhava para ele, tentou parecer mais animado, mas não mostarda isso bem.

-Estou aqui, e disso que precisa saber. – Greg colocou a mão sobre a mão de Robin.

-Sim, acho que vai ficar tudo bem, acho que no final só precisava conversar com você. – Disse olhando para a mão de Greg sobre a dele, e depois olhou o rosto de Greg e expressou um pequeno sorriso.

-Bem, Robin, tenho que ir dormir, vai ser um dia agitado não é? Boa noite. – Greg ficou com as bochechas vermelhas, ele estava com um misto de nervoso, timidez e felicidade.- Mas não se preocupe, vou dormir perto de você.

Greg se levantou, tirou sua cama de debaixo da pequena tenda, e levou para a perto da tenda de Robin, orou a cama ao lado da tenda dele, arrumou tudo rapidamente, não se importou se passaria frio ou não, se choveria ou não, apenas queria ficar perto de seu amigo, e enfim deitaram para dormir, Greg pensava em como seria dali para frente, pensava no que aconteceu durante a noite, sobre o que sentia, estava confuso, mas confiante, ele estava tendo que entender coisas que nunca pensou que aconteceria, depois de um tempo dormiu. Robin se deitou, estava sem sono, ele tentou não pensar no sonho, mas pensava sobre a criatura, sobre o que ela disse, e que talvez tudo estivesse perdido, mas conseguiu construir uma esperança, Greg estava lhe dando esperança, que sabe daria mais.

A noite passava, ventava fraco, as nuvens passavam devagar pelo céu, estavam carregadas as vezes um relâmpago acendia a noite escura e mostrava a floresta, mostrava as ruínas, dava um ar mais místico ao lugar, todos dormiam mansamente, se estivessem acordados poderiam ouvir o som de morcegos, o som de esquilos, o som de pequenos animais na floresta, nenhum pássaro cantava, ainda era cedo para isso, mas logo iria amanhecer, logo o sol nasceria.

O sol nasceu, brilhava fraco por causa das nuvens, estava nublado demais, as nuvens carregadas, o clima parecia instável, o vento estava mais forte, as tintas estavam bem presas, mas mostravam querer se soltar das cordas e sair voando. Fernando acordou primeiro, ele queria sair para pegar algumas frutas, viu os Greg dormindo juntos, pensou : Os dois ficaram amigos mesmo, sorte deles terem encontrado alguém em quem confiar, isso é o melhor que esse lugar pode oferecer. Ele então desistiu da idéia de sair para pegar as frutas e decidiu fazer o café ali mesmo.

Colocou um pequeno bule na fogueira, um pouco de água e esquentou o café, pegou as frutas guardadas, cortou elas, uns pães velhos, e lá estava o café, o cheiro do café no ar acordou Greg, que coçou os olhos e se levantou , foi para perto de Fernando.

-Bom dia, de novo esse café fraco? – Greg estava em pé perto de Fernando, ele bocejou e esperou a resposta.

-Bom dia, é o que temos para hoje, bem tem umas frutas aqui, pode pegar uns pedaços, se dermos sorte comemos um ensopado de batata em casa…. Por que dormiu perto de Robin? – Fernando estava olhando a água ferver, e mordia um pedaço de fruta.

-Batata? Parece bom, sei lá, achei que fosse melhor ficar perto dele, sei como esses sonhos são assustadores, quis ajudar ele. – Greg se sentou pegou um pedaço de fruta e ficou olhando.

-Fez certo, acho que vocês dois estão se dando muito bem, já são grandes amigos, acho que tem algo de especial entre os dois, mas isso é coisa minha, acho que quem não está gostando nada disso é Mariana, ela parece estar irritada com ele, sempre… – Fernando colocou o café num copo velho e tomou um gole. – Você não acha isso também?

-Me de um copo também. – apontando para o café. – Talvez tenha razão, ela não parece estar tão feliz comigo dando tanta atenção para Robin, não sei o que tem de errado nela, é só dar uma chance a ele. – Greg Mode o pedaço da fruta.

-Acho que esse não é o ponto, ela não parece feliz por outro motivo, talvez ela goste de você, e agora você dá tanta atenção para ele, pode ser ciúmes. – Fernando olha para Greg, que estava ficando corado.

-Duvido que seja por isso, ela é só minha amiga, sei que ela pensa do mesmo jeito que eu, mas sei lá, não me sinto tão próxima dela quanto eu me sinto de Robin, ele parece me compreender mais, foram tantos dias conversando com ele, ele parece… Parece diferente, sabe, não diferente ruim, mas diferente legal, não sei explicar. – Greg estava com o osso vermelho, olhava para o chão enquanto dava goles no café fraco e sem açúcar.

-Tudo bem, acho que vou parar de perguntar, você está vermelho, muito vermelho, você realmente vê algo especial nele não é? Mas mesmo assim, não deixe Mariana sozinha, ela precisa tanto de você quanto ele, diabos, até eu preciso de você, somos uma família, lutamos contra tudo e todos, devemos nos proteger. – Fernando mostrava animação com o pequeno discurso, levantou o velho copo como se fosse brindar algo, gera também fez isso, estavam falando alto.

Um pouco mais tarde os outros dois levantaram, estavam cansados ainda, nenhum deles estava acostumado a dormir sobre superfícies tão duras, e suas costas sofria, mas nada que o dia não curasse, estavam com fome e logo atacaram o café e as frutas, bebiam rápido apesar do péssimo sabor, mas as frutas ajudavam a tragar o café.

Estavam se preparando para voltar, clima estava mais feio, o vento estava mais forte, parecia que ia chover, e seria uma chuva forte, quem sabe uma tempestade. Preparavam se para partir.


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Veja o capitulo anterior clicando aqui: Floresta Sombria – Capítulo 13

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Um comentário sobre “Floresta Sombria – Capítulo 14

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