A crítica: Fahrenheit 451

Capa do livro, obtida através de um screenshot de meu kindle da 8ª geração.

A proposta do autor é instigante, uma realidade paralela onde a leitura de livros foi proibida, e a partir disto foi estabelecido que todos os livros devem ser queimados e destruídos, as obras foram sendo cada vez mais resumidas, ou seja, livros grande viraram folhetos ou programas de rádio que duram pouco. E como forma principal de destruição dos livros é pela sua queima, o título do livro faz uma referência à isso, já que a temperatura em que o papel se incendeia espontaneamente é 451° fahrenheit.

A história segue Montag, um bombeiro, profissão esta que neste mundo paralelo serve apenas para queimar livros e as casas onde as pessoas os escondem. E em algum momento ele encontra uma jovem e curiosa garota, Clarisse, que gosta de questionar e observar o mundo a sua volta, algo muito incomum e que costuma incomodar as pessoas de sua sociedade.

A vida de Montag é a vida média dos americanos nesta realidade, distraído e “anestesiado da realidade” por programas de tv, tv’s essas que ocupam paredes inteiras, fazendo apenas uma função na sua vida e sem nunca questionar as causas disto, vivendo uma vida rasa, escutando e vendo apenas o que o governo quer que os cidadãos vejam e escutem. Cada vez mais desiludido com sua profissão e se questionando cada vez mais sobre sua vida e a sociedade, Montag rouba um dos livros que deveria destruir, e o lê. Ele então percebe que estava do lado errado o tempo todo, e busca uma forma de reverter o quadro da nação, fazendo reviver os livros, para isso ele se junta a um professor e planejam isso, mas nem tudo corre como planejado.

Sobre o mundo apresentado no livro: Há uma constante sobra de uma guerra que se aproxima, mas isso não causa medo ou pânico nas pessoas, que são constantemente bombardeadas por programas de tv e rádio que buscam desviar o foco da atenção das pessoas para coisas que as deixem “felizes”, mascarando a realidade. A educação foi sendo cada vez mais comprimida e compactada, deixando de ensinar o pensamento crítico e as ciências humanas e sociais, focando apenas em profissionalizar os alunos, apenas ensinando o necessário para o trabalho, não há professores, já que tudo o que precisa ser ensinado é ensinado por vídeos, não há escritores ou gráficos, já que escrever livros se tornou proibido. As ciências humanas foram abandonadas e banidas por serem muito “controversas e polêmicas”.

O livro apesar de antigo reflete muito bem a realidade brasileira, os livros estão sendo postos de lado (vide nos últimos anos algumas das maiores livrarias estarem fechando suas portas), claro que os livros não estão sendo criminalizados, mas esquecidos. Há uma constante perseguição contra as ciências humanas, sempre um questionamento sobre pra que serve ou sobre os resultados muitas vezes controversos que os estudos dessas ciências alcançam, visto que o governo atual questiona cada vez mais não só as ciências sociais, mas todas as ciências. A reforma do ensino médio que visa dividir o ensino em áreas de atuação de carreira, profissionalizando o ensino e focando apenas no que o aluno deve saber para exercer sua função na sociedade, excluindo muitas vezes as ciências humanas. Um constante mascaramento da realidade e muitas outras coisas que assustadoramente se assemelham a nossa realidade.

O livro é uma ótima cŕitica a isso, ao esquecimento das literaturas e de suas morais, uma crítica ao mundo utilitário onde devemos fazer apenas o que é nos dito para fazer e sem questionar nada, um mundo onde todos tẽm que ser iguais para que as diferenças não causem problemas, um mundo homogêneo de uma falsa felicidade.

Autor: Ray Brandburry

Páginas: 216

Editora: Globo Livros

ISBN: 987-8525052247

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8 comentários em “A crítica: Fahrenheit 451

  1. Este livro é ótimo e o filme também, apesar que a leitura da obra é sempre mais rica em detalhes. Mesmo com as tecnologias, penso que o livro não deve “morrer”. O prazer em folhear uma obra, sentir o cheiro do papel, hummm, isso para mim não tem preço.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Realmente um livro de verdade em mãos não tem comparação, mas acho que as tecnologias de ebooks são muito benéficas , principalmente pq evita que o mundo do livro aconteça de verdade, afinal, hoje em dia , tem tudo na internet

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